Conheca historias emocionantes de quem conseguiu superar obstaculos

sábado, 30 de outubro de 2010

Paulo sofreu um acidente em uma corrida de motocross e ficou paraplégico. As limitações não o fizeram deixar de lado a paixão pela velocidade. Ele melhora a cada dia e foi o primeiro portador de necessidade especial a participar do Rali dos Sertões. Já Fernanda foi internada às pressas por causa da anorexia. Ela quase morreu, mas hoje está bem de saúde e até escreveu um livro para ajudar outras pessoas a não sofrerem desta doença. Veja essas e outras histórias na segunda reportagem da série "Superação".



Uma pesquisa revela que uma em cada três adolescentes passa fome para emagrecer. As meninas forçam o vômito depois de comer e fazem dietas malucas para emagrecer, inspiradas na aparência de modelos e de estrelas da música, da televisão e do cinema.

As garotas contam sobre bulimia. Uma delas fez a dieta do tomate; sem tomar café-da-manhã, a jovem almoçava e jantava apenas tomates. A outra fez a dieta de uma salsicha no almoço, e nada mais durante o dia. Para elas, Gisele Bündchen é perfeita.

Nossa percepção de beleza é distorcida!



Reportagem sobre Anorexia e Bulimia

segunda-feira, 11 de outubro de 2010


A preocupação exagerada com a imagem pode desencadear distúrbios alimentares, como a anorexia e a bulimia. Esses problemas são comuns principalmente entre os adolescentes e os pais devem ficar atentos.

Anorexia


- O que é?

Doença de fundo psicológico, caracterizada como um transtorno alimentar que acomete, principalmente, mulheres de classe média e média-alta, com idades entre 13 e 30 anos – podendo, todavia ocorrer em outras idades, classe social e sexo. Normalmente, são pessoas meticulosas e compulsivas, com metas elevadas de realização e êxito, com mania de perfeição na escola ou no trabalho, e uma grande exigência em relação à atenção corporal.

O quadro consiste em uma perda voluntária do peso, devido um anseio patológico de emagrecer e um intenso medo da obesidade. Apesar da fome, mantém-se em dieta calórica pobre, eliminando o que se entende como alimentos (calóricos) que engordam. De modo geral, acaba-se realizando dieta muito limitada, por vezes restrita a apenas escassos tipos de alimentos.
Pessoas com anorexia estudam regimes e calorias, juntam receitas e aprontam refeições sofisticadas para os outros, e podem desenvolver um paladar estranho ou estabelecer rituais para a alimentação. Apesar disso, costumam ocultar alimentos pela casa e levar grandes quantidades de doces consigo. Algumas podem apresentar episódios de comilança, que acontecem em segredo e com grande quantidade de alimentos, normalmente calóricos. Psicologicamente são pessoas que tem um pensamento inalterável, apreensão acerca de comer em público, forte necessidade de controlar o próprio ambiente, sentimento de inutilidade e espontaneidade social limitada.

comum os portadores apresentarem, junto com tal quadro, um contínuo isolamento da família e amigos, com tendências à depressão e com alteração de humor, ansiedade, tristeza, irritabilidade, desânimo e desinteresse geral. Podem perder o interesse sexual, pois sentem insegurança em expor o corpo, perdendo qualquer desejo pelo contato físico íntimo.
Tipicamente, ocorre uma baixa freqüência cardíaca, hipotensão arterial (que em alguns casos pode levar a morte súbita em decorrência de arritmias cardíacas por causa da deficiência de potássio), baixa temperatura corpórea e alterações hormonais (níveis reduzidos de estrogênio e do hormônio tireoidiano e níveis aumentados de cortisol). É comum apresentar desidratação e propensão ao desmaio.

- Danos à saúde:

Outras características do quadro, além da perda de peso acentuada, são: pele seca, pálida e amarelada por causa da desnutrição, tontura, bradicardia, problemas gastrointestinais, queda de cabelo e enfraquecimento das unhas, vulnerabilidade à infecções, interrupção do crescimento e da maturidade sexual, baixo rendimento intelectual, amolecimento dos dentes, dor abdominal, intolerância ao frio e letargia, constipação, amenorréia (devido a níveis anormalmente baixos de estrógenos) e infertilidade (devido à diminuição hormonal).

Há um dano na identidade. Os anoréxicos se vêem com a imagem corporal distorcida, achando-se gordos e, assim, recusam-se manter um peso corpóreo mínimo normal. O medo de ganhar peso geralmente não é aliviado pela perda deste. A preocupação e a ansiedade em relação ao peso aumentam na medida em que se tornam mais magros.
Os indivíduos com tal transtorno constantemente se pesam, medem de forma obsessiva partes do corpo e utilizam constantemente o espelho para examinar as áreas ‘gordas’. Assim, não é demais intuir que a auto-estima está ligada ao seu próprio peso corporal: ganhá-lo é se sentir fracassada (o), ao passo que perdê-lo é entendido como uma conquista notável e um sinal de admirável disciplina pessoal.

É costume o uso de meios não usuais para perder peso. Além da dieta, o indivíduo é capaz de submeter-se a exercícios físicos intensos, induzir o vômito, reduzir drasticamente a alimentação, jejuar, utilizar-se (sem critério ou orientação médica) de medicamentos que inibem o apetite, além de diuréticos e laxantes.

- Tipos de Anorexia:

Há dois tipos de pacientes com anorexia: os que restringem a alimentação e os que têm episódios denominados binge, quando comem de forma descontrolada até não suportarem mais, e em seguida vomitam.

Tipo Restritivo - A perda do peso é obtida, sobretudo, à base de exercícios excessivos, dietas e jejuns. É um tipo considerado menos grave e com melhor prognóstico.
Tipo Compulsão Periódica/Purgativo – Há um regular envolvimento em compulsões alimentares acompanhada de purgações (mediante vômitos auto-induzidos ou uso indevido de laxantes, diuréticos). Dentro desse tipo há aqueles que não comem compulsivamente, mas usam de purgações regulares mesmo tendo comido pequena quantidade, o que demonstra uma compulsão geral, sendo necessário tomar cuidado com os abusos de álcool e outras drogas. Também é comum uma maior instabilidade do humor.

Pode ser leve e temporária ou grave e prolongada, mas sua evolução é variável. Muitos pacientes têm apenas um único episódio de anorexia na vida, com recuperação completa, enquanto outros apresentam evoluções recorrentes, levando a inúmeras internações e reincidência contínua. Tal distúrbio pode levar à morte devido às alterações orgânicas e metabólicas secundárias à inanição e desequilíbrio eletrolítico.


- Algumas causas:


Antigamente, a anorexia aparecia vinculada aos jejuns religiosos, que se transformavam em verdadeira obsessão. No final do século passado, pode-se perceber uma luta por um padrão magérrimo de beleza. O padrão ideal é o das modelos, estimulado por estilistas que procuram melhor caimento para as roupas, atingindo mulheres cada vez mais jovens, suscetíveis aos apelos de uma sociedade consumista, levando à tirania que o ideal do corpo esquelético exerce nas pessoas. Percebemos isso abrindo qualquer página de revista, ligando a TV em qualquer canal ou quando nos deparamos em outros lugares com espaços preenchidos de dedicação ao culto do corpo e aos cuidados corporais.

O que se percebe hoje, na sociedade ocidental, é um desejo crescente por ser magra, caso contrário tem-se uma pessoa pouco atrativa, não saudável e indesejável. Tanto que hoje podemos dizer que fazer regime é um costume na nossa sociedade. Num padrão muito rígido, aprende-se que ser magra é ser feliz, objetivo e objeto de consumo. Nesse reducionismo, homens e mulheres travam uma batalha contra o próprio corpo.

Até pouco tempo, acreditava-se que a anorexia era um quadro que se desenvolvia somente nas cidades industrializadas. Porém, houve uma falta de estudo em outros locais. Hoje, sabe-se que a anorexia está presente também nas comunidades em que não se cultua um corpo magro.

A causa ainda é questionada, mas sabe-se que é decorrente de diversas questões: biológicas, psicológicas e ambientais. Como interagem entre si, é muito difícil assinalar uma única causa, chegando-se à conclusão de que elas se completam.
Muitas vezes, tal quadro é desencadeado por acontecimentos negativos ou estressantes como, por exemplo, a perda de emprego, mudança de cidade, término de um relacionamento, entrada na universidade ou casamento.


- Tratamento:


É indispensável um plano abrangente de tratamento, realizado por uma equipe multidisciplinar (psicólogos, psiquiatras, nutricionistas e endocrinologistas). Se necessário, também, pode haver hospitalização (em cerca de 10% dos casos) e uso de medicamento. Não há medicações específicas capazes de restaurar a correção da percepção corporal ou anseio em perder peso, mas, de forma paliativa, alguns antidepressivos podem ser utilizados.

A função do psicólogo é ajudar no resgate da percepção corporal, levando ao aprendizado sobre como ser capaz de respeitar e aceitar o corpo. Para isso, a psicoterapia pode ser realizada individualmente, em grupo ou em família (é muito freqüente a necessidade de incluir pais ou outras fontes externas, para poder verificar outros aspectos da doença), visando à mudança do comportamento e das crenças. O objetivo é perceber o que o quadro tem a contar sobre a pessoa e a sua forma de estar em contato com o outro e com o mundo, responsabilizando-se pelas escolhas e pelo próprio comportamento.
Vale ressaltar que por ser um distúrbio de auto-imagem, de nada adianta coagir a (o) paciente a se alimentar. Antes disso, é necessário entender o problema e ajudá-la (o) a recuperar sua auto-imagem e auto-estima.

Os indivíduos com Anorexia comumente mantêm sua conduta oculta, recusam os sintomas e negam o problema, não se queixando de falta de apetite ou de perda de peso. Assim, recusam ao tratamento por não considerar seu comportamento errado, cabendo aos familiares a identificação, já que a pessoa não tem consciência da doença e não vai buscar auxílio por livre e espontânea vontade. Essas são as grandes dificuldades no tratamento: a demora na procura por atendimento especializado por parte da família, que se recusa em aceitar a doença (‘vai passar’, ‘é um capricho relacionado à idade’) e à recusa do paciente em aceitar ajuda.


Fontes: http://www.corposaudavel.com.br/psicologia/365-anorexia

Bulimia


- O que é?

A bulimia é um transtorno alimentar grave e de difícil tratamento onde ocorre a indução de vômito depois da ingestão excessiva de alimentos calóricos. Caracterizado por episódios repetidos de alimentação exagerada predominantemente de doces e alimentos com alto teor calórico que ocorrem numa limitação temporal, geralmente de menos de 2 horas, seguido de um sentimento de desconforto e culpa pelo ganho de peso e falta de controle sobre o ato de comer compulsivo.
Tais episódios normalmente são desencadeados por estresse, intensa fome devido a um período de dieta radical, sentimentos negativos sobre si gerando autocrítica e humor deprimido acompanhado de métodos compensatórios: purgação (vômito auto-induzido, que aliviam o desconforto físico, ou ingestão de laxantes e/ou diuréticos), períodos alternados de inanição, dieta rigorosa ou prática de exercícios extenuantes.

Assim como na anorexia, a maioria dos indivíduos com bulimia é do sexo feminino, jovens, com grande ansiedade em relação à forma e peso corpóreo pertencentes às classes sócio-econômicas média e alta. Também na bulimia, há uma distorção do esquema corporal que não é corrigida pela argumentação lógica das pessoas a sua volta. Mas, diferentemente das pessoas com anorexia, as com bulimia costumam ser mais conscientes de seu comportamento e experimentam remorso ou culpa. Normalmente, se sentem envergonhados e tentam esconder seus sintomas, evitando comer em público e lugares que precisem mostrar o corpo, como praias e piscinas. Na bulimia não há perda de peso corporal que tende a oscilar em torno do normal.


- Danos à saúde:

Além dos mesmos danos à saúde causada pela anorexia, a bulimia nervosa tem outras complicações, pois o vômito induzido pode gerar inflamação do esôfago, erosão do esmalte dos dentes causado pelo acido gástrico levando a cáries, cicatrizes nos nós dos dedos (conhecido como sinal de Russell) pelo uso dos dedos para a indução e aumento das glândulas salivares das bochechas (glândulas parótidas) ocasionando faces inchadas e doloridas. Além disso, também pode haver vômitos com sangue, desidratação, desnutrição e inflamação na garganta. O vômito e purgação podem restringir a concentração de potássio no sangue, causando arritmias cardíacas, dores musculares, câimbras e desequilíbrio eletrolítico, com fraqueza e desmaios.

O curso e evolução são variáveis. Enquanto alguns podem se reabilitar de forma completa após um episódio isolado, outros podem manter um padrão flutuante de ganho de peso acompanhado por recaídas e outros ainda demonstram um curso crônico e comprometido ao longo de muitos anos.

- Causas:

Múltiplas podem ser as causas compreendendo uma associação entre aspectos socioculturais, psicológicos, individuais e familiares, neuroquímicos e genéticos.

A importância cultural dada à aparência física pode ter uma respeitável atribuição nessa atual valorização do corpo magro como ideal máximo de beleza. Além da pressão social, a pressão familiar, distúrbios na sua interação e eventos estressantes relacionados à sexualidade ou à identidade pessoal e a predisposição genética também devem ser destacadas como fatores desencadeantes ou mantenedores. Assim, conflitos de identidade, problemas familiares e baixa auto-estima também podem ser responsáveis por principiar a doença.

O que se percebe hoje é que uma obsessão por calorias e alimentos reforçada pela cultura do magro absoluto como sinônimo de beleza estimula a busca por padrão distinto geneticamente do seu.

É preciso bom senso para não se deixar levar pela expressão de tal mensagem e empenho da sociedade em mudar certos valores estéticos ligados ao culto do corpo e à magreza.

- Tipos:

O comportamento bulímico se divide em:
  • Compulsão: ingestão rápida e geralmente escondida de alimentos altamente calóricos, em sua maioria num curto espaço de tempo, podendo ou não o ato ter sido planejado. A comida é engolida sem ser saboreada.
  • Limpeza: forma compensatória para evitar o ganho de peso, caracterizada pelo uso de laxantes – na tentativa de eliminar os alimentos. Além de ser uma maneira ineficaz de eliminar as calorias adquiridas na ingestão, corre-se o risco do intestino adaptar-se ao uso deles.
  • Purgativo: caracterizado pela auto-indução de vômito ou pelo uso de laxantes e diuréticos.
  • Sem purgação: utilização de outros eventos compensatórios como jejuns ou excesso de atividade física.

- Tratamento:


A grande dificuldade no tratamento é a demora em procurar atendimento médico, pela recusa da família em aceitar a doença acreditando que é um simples capricho ou teimosia, sem conseguir distinguir o limite entre a inquietação com a beleza e a distorção da auto-imagem, além da falta de aderência do tratamento pelo paciente que tenta disfarçar a doença, inclusive do profissional.

Infelizmente, não se conhecem métodos eficientes para evitar tais patologias. Mas o tratamento abrange uma equipe multidisciplinar com psicoterapia – individual, em grupo ou familiar - visando à mudança do comportamento e das crenças, abordagem nutricional que tem como objetivo instituir um hábito alimentar mais saudável, suprimindo o ciclo "compulsão alimentar/ purgação/ jejum", e o tratamento medicamentoso – freqüentemente para o controle de tal distúrbio é usado antidepressivos, mesmo que não haja um quadro evidente de depressão.

A terapia individual objetiva a implementação de um diário de alimentação, que deverá ser planejado e avaliado junto com o paciente, revelando pensamentos, comportamentos e sentimentos experimentados em cada situação. Visa ajudar no entendimento dos aspectos dinâmicos assim como no esclarecimento de questões práticas como o planejamento antecipado dos horários destinados a atividades e refeições, evitando estocar alimentos em casa e fazer as refeições sozinho ou se pesar constantemente. A orientação e/ou terapia familiar faz-se necessária uma vez que a família cumpre papel essencial na recuperação do paciente.

A grande maioria dos pacientes pode ser tratada em nível ambulatorial, a menos que, pela gravidade do caso, uma intervenção seja necessária: depressão com risco de suicídio, perda de peso acentuado com comprometimento do estado geral ou hipopotassemia (excreção excessiva do potássio pela urina ou fezes, ou ainda por vômitos) seguida de arritmia cardíaca, para a restauração do peso e correção de equilíbrios hidroeletrolíticos.

- Considerações Finais:


Algumas profissões parecem indicar maior risco (jóqueis, atletas, manequins e pessoas ligadas à moda de forma geral), pelo fato da fiscalização corporal ser maior do que o resto da população.

O ato de ingerir continuamente pequenas quantidades de comida durante o dia não se supõe uma compulsão periódica.

O diagnóstico de Bulimia Nervosa não deve ser dado quando a perturbação acontece exclusivamente durante os episódios de Anorexia Nervosa.Alguns sintomas relevantes são distúrbios depressivos, automutilação, comportamento obsessivo compulsivo, distúrbios de ansiedade.



Fontes: http://www.corposaudavel.com.br/psicologia/367-bulimia