Anorexia

segunda-feira, 11 de outubro de 2010


- O que é?

Doença de fundo psicológico, caracterizada como um transtorno alimentar que acomete, principalmente, mulheres de classe média e média-alta, com idades entre 13 e 30 anos – podendo, todavia ocorrer em outras idades, classe social e sexo. Normalmente, são pessoas meticulosas e compulsivas, com metas elevadas de realização e êxito, com mania de perfeição na escola ou no trabalho, e uma grande exigência em relação à atenção corporal.

O quadro consiste em uma perda voluntária do peso, devido um anseio patológico de emagrecer e um intenso medo da obesidade. Apesar da fome, mantém-se em dieta calórica pobre, eliminando o que se entende como alimentos (calóricos) que engordam. De modo geral, acaba-se realizando dieta muito limitada, por vezes restrita a apenas escassos tipos de alimentos.
Pessoas com anorexia estudam regimes e calorias, juntam receitas e aprontam refeições sofisticadas para os outros, e podem desenvolver um paladar estranho ou estabelecer rituais para a alimentação. Apesar disso, costumam ocultar alimentos pela casa e levar grandes quantidades de doces consigo. Algumas podem apresentar episódios de comilança, que acontecem em segredo e com grande quantidade de alimentos, normalmente calóricos. Psicologicamente são pessoas que tem um pensamento inalterável, apreensão acerca de comer em público, forte necessidade de controlar o próprio ambiente, sentimento de inutilidade e espontaneidade social limitada.

comum os portadores apresentarem, junto com tal quadro, um contínuo isolamento da família e amigos, com tendências à depressão e com alteração de humor, ansiedade, tristeza, irritabilidade, desânimo e desinteresse geral. Podem perder o interesse sexual, pois sentem insegurança em expor o corpo, perdendo qualquer desejo pelo contato físico íntimo.
Tipicamente, ocorre uma baixa freqüência cardíaca, hipotensão arterial (que em alguns casos pode levar a morte súbita em decorrência de arritmias cardíacas por causa da deficiência de potássio), baixa temperatura corpórea e alterações hormonais (níveis reduzidos de estrogênio e do hormônio tireoidiano e níveis aumentados de cortisol). É comum apresentar desidratação e propensão ao desmaio.

- Danos à saúde:

Outras características do quadro, além da perda de peso acentuada, são: pele seca, pálida e amarelada por causa da desnutrição, tontura, bradicardia, problemas gastrointestinais, queda de cabelo e enfraquecimento das unhas, vulnerabilidade à infecções, interrupção do crescimento e da maturidade sexual, baixo rendimento intelectual, amolecimento dos dentes, dor abdominal, intolerância ao frio e letargia, constipação, amenorréia (devido a níveis anormalmente baixos de estrógenos) e infertilidade (devido à diminuição hormonal).

Há um dano na identidade. Os anoréxicos se vêem com a imagem corporal distorcida, achando-se gordos e, assim, recusam-se manter um peso corpóreo mínimo normal. O medo de ganhar peso geralmente não é aliviado pela perda deste. A preocupação e a ansiedade em relação ao peso aumentam na medida em que se tornam mais magros.
Os indivíduos com tal transtorno constantemente se pesam, medem de forma obsessiva partes do corpo e utilizam constantemente o espelho para examinar as áreas ‘gordas’. Assim, não é demais intuir que a auto-estima está ligada ao seu próprio peso corporal: ganhá-lo é se sentir fracassada (o), ao passo que perdê-lo é entendido como uma conquista notável e um sinal de admirável disciplina pessoal.

É costume o uso de meios não usuais para perder peso. Além da dieta, o indivíduo é capaz de submeter-se a exercícios físicos intensos, induzir o vômito, reduzir drasticamente a alimentação, jejuar, utilizar-se (sem critério ou orientação médica) de medicamentos que inibem o apetite, além de diuréticos e laxantes.

- Tipos de Anorexia:

Há dois tipos de pacientes com anorexia: os que restringem a alimentação e os que têm episódios denominados binge, quando comem de forma descontrolada até não suportarem mais, e em seguida vomitam.

Tipo Restritivo - A perda do peso é obtida, sobretudo, à base de exercícios excessivos, dietas e jejuns. É um tipo considerado menos grave e com melhor prognóstico.
Tipo Compulsão Periódica/Purgativo – Há um regular envolvimento em compulsões alimentares acompanhada de purgações (mediante vômitos auto-induzidos ou uso indevido de laxantes, diuréticos). Dentro desse tipo há aqueles que não comem compulsivamente, mas usam de purgações regulares mesmo tendo comido pequena quantidade, o que demonstra uma compulsão geral, sendo necessário tomar cuidado com os abusos de álcool e outras drogas. Também é comum uma maior instabilidade do humor.

Pode ser leve e temporária ou grave e prolongada, mas sua evolução é variável. Muitos pacientes têm apenas um único episódio de anorexia na vida, com recuperação completa, enquanto outros apresentam evoluções recorrentes, levando a inúmeras internações e reincidência contínua. Tal distúrbio pode levar à morte devido às alterações orgânicas e metabólicas secundárias à inanição e desequilíbrio eletrolítico.


- Algumas causas:


Antigamente, a anorexia aparecia vinculada aos jejuns religiosos, que se transformavam em verdadeira obsessão. No final do século passado, pode-se perceber uma luta por um padrão magérrimo de beleza. O padrão ideal é o das modelos, estimulado por estilistas que procuram melhor caimento para as roupas, atingindo mulheres cada vez mais jovens, suscetíveis aos apelos de uma sociedade consumista, levando à tirania que o ideal do corpo esquelético exerce nas pessoas. Percebemos isso abrindo qualquer página de revista, ligando a TV em qualquer canal ou quando nos deparamos em outros lugares com espaços preenchidos de dedicação ao culto do corpo e aos cuidados corporais.

O que se percebe hoje, na sociedade ocidental, é um desejo crescente por ser magra, caso contrário tem-se uma pessoa pouco atrativa, não saudável e indesejável. Tanto que hoje podemos dizer que fazer regime é um costume na nossa sociedade. Num padrão muito rígido, aprende-se que ser magra é ser feliz, objetivo e objeto de consumo. Nesse reducionismo, homens e mulheres travam uma batalha contra o próprio corpo.

Até pouco tempo, acreditava-se que a anorexia era um quadro que se desenvolvia somente nas cidades industrializadas. Porém, houve uma falta de estudo em outros locais. Hoje, sabe-se que a anorexia está presente também nas comunidades em que não se cultua um corpo magro.

A causa ainda é questionada, mas sabe-se que é decorrente de diversas questões: biológicas, psicológicas e ambientais. Como interagem entre si, é muito difícil assinalar uma única causa, chegando-se à conclusão de que elas se completam.
Muitas vezes, tal quadro é desencadeado por acontecimentos negativos ou estressantes como, por exemplo, a perda de emprego, mudança de cidade, término de um relacionamento, entrada na universidade ou casamento.


- Tratamento:


É indispensável um plano abrangente de tratamento, realizado por uma equipe multidisciplinar (psicólogos, psiquiatras, nutricionistas e endocrinologistas). Se necessário, também, pode haver hospitalização (em cerca de 10% dos casos) e uso de medicamento. Não há medicações específicas capazes de restaurar a correção da percepção corporal ou anseio em perder peso, mas, de forma paliativa, alguns antidepressivos podem ser utilizados.

A função do psicólogo é ajudar no resgate da percepção corporal, levando ao aprendizado sobre como ser capaz de respeitar e aceitar o corpo. Para isso, a psicoterapia pode ser realizada individualmente, em grupo ou em família (é muito freqüente a necessidade de incluir pais ou outras fontes externas, para poder verificar outros aspectos da doença), visando à mudança do comportamento e das crenças. O objetivo é perceber o que o quadro tem a contar sobre a pessoa e a sua forma de estar em contato com o outro e com o mundo, responsabilizando-se pelas escolhas e pelo próprio comportamento.
Vale ressaltar que por ser um distúrbio de auto-imagem, de nada adianta coagir a (o) paciente a se alimentar. Antes disso, é necessário entender o problema e ajudá-la (o) a recuperar sua auto-imagem e auto-estima.

Os indivíduos com Anorexia comumente mantêm sua conduta oculta, recusam os sintomas e negam o problema, não se queixando de falta de apetite ou de perda de peso. Assim, recusam ao tratamento por não considerar seu comportamento errado, cabendo aos familiares a identificação, já que a pessoa não tem consciência da doença e não vai buscar auxílio por livre e espontânea vontade. Essas são as grandes dificuldades no tratamento: a demora na procura por atendimento especializado por parte da família, que se recusa em aceitar a doença (‘vai passar’, ‘é um capricho relacionado à idade’) e à recusa do paciente em aceitar ajuda.


Fontes: http://www.corposaudavel.com.br/psicologia/365-anorexia

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